sábado, 24 de setembro de 2011

(in)Sucesso Antes dos 30


Vivemos em sociedade de acordo com as regras que nos são impostas e nem nos damos conta disso, fazemos todos os dias coisas demais e o tempo já não anda mais na mesma velocidade que andava há pouco tempo atrás.
Tendências, comportamentos, consumidores e, principalmente, usuários, caminham rumo a um futuro aparentemente dominado pela tecnologia. Mas qual o impacto de tudo isso? Até que ponto a tecnologia pode contribuir positivamente, sem afetar o lado humano de nossa existência?
Se compararmos o homem atual com o homem de 20 anos atrás, veremos que muita coisa mudou. Ao longo desse período, a tecnologia se desenvolveu como nunca e as pessoas começaram a ter mais acesso a informações, que começaram ser difundidas com maior velocidade, mudando totalmente o comportamento de todos. Tornamo-nos multifuncionais, 24 horas agora são pouco para a maioria. Alguns nasceram neste cenário, convivendo com essas evoluções durante sua infância e adolescência, e, tornaram-se jovens em busca de sucesso antes dos 30 anos: a Geração Y.
Engraçado pensar sobre o parágrafo que acabei de escrever, parece-me tão verdadeiro e tão falso ao mesmo tempo. Controvérsias infinitas em minha mente, aumentam minha necessidade de filosofar e questionar. Então lá vai:
Uma geração? (Não há um consenso sobre essa afirmação, mas muitos defendem esta idéia) O que, exatamente, caracteriza um grupo de pessoas em uma geração? Sei que o acesso a tecnologia é sim muito maior hoje do que há 20 anos, mas daí dizer que estamos diante de uma geração inteira envolve muitos aspectos.
O BURACO É MAIS EM BAIXO
Nomear este fenômeno de geração consiste em fechar os olhos para aqueles que nasceram neste mesmo período de tempo, mas não possuem fácil acesso aos adventos da modernidade, tirando, de certa forma, a importância e o lugar dessas pessoas no mundo. E isso, é o que temos feito. Ao longo dos anos, olhamos cada vez mais para o eu e cada vez menos para o nós.
Se esse comportamento é, em parte, influência do desenvolvimento tecnológico, seria esta uma tendência capaz de nos cegar frente a certas realidades? O fato é: agora escolhemos com quem queremos nos relacionar, aceitamos e descartamos pessoas com apenas um click, ao mesmo tempo em que queremos compartilhar ideias e selecionar o grupo digno de ouvi-las.
A realidade é composta por informações selecionadas e os “marginalizados tecnologicamente”, são, por conseqüência, “marginalizados” socialmente. Estes, para os quais “fechamos os olhos”, são parte da Geração Y? Provavelmente não, porém é impossível negar o impacto de todo esse desenvolvimento na vida de certas pessoas, de modo que, o segredo é não generalizar e sim, contextualizar.
Contextualizar, significa enxergar realidades distintas a fim de nos conscientizarmos de que o futuro promissor rumo à era da tecnologia, pelo menos no país em que vivemos, ainda não é suficiente para solucionar problemas graves como falta de investimento na qualidade de vida da sociedade.
Apesar de toda tecnologia disponível e das muitas possibilidades apresentadas por ela, ao invés de nos preocuparmos com a timeline do Facebook, deveríamos pelo menos analisar fatores como: caso todos tivessem "acesso tecnologico", viveríamos numa sociedade melhor? Será que a qualidade da educação no país aumentaria?
E eis que me deparo neste ciclo sem fim, recheado de ideologia, onde, não existe conclusão ou resposta, porém, me arrisco no uso do imperativo, principalmente para os que almejam sucesso antes dos 30:
  • Preocupe-se um pouco mais com os outros do que consigo mesmo;
  • Tenha consciência de que sucesso deve ser conseqüência, e não objetivo;
  • O mundo não gira ao seu redor, acorde para a vida e enxergue.
Ainda assim se nada dito faz sentido para você, deixo aqui sábias palavras de José Saramago:
“Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.”
“Retrato do desmoronar completo da sociedade causado pela cegueira que aos poucos assola o mundo, reduzindo-o ao obscurantismo de meros seres extasiados na busca incessante pelo poder. Crítica pura às facetas básicas da natureza humana encarada como uma crise epidêmica. Mais do que olhar, importa reparar no outro. Só dessa forma o homem se humaniza novamente.”

Nota

Foram meses de ausência após me comprometer com postagens constantes. Eis que me deparo com o último post por mim publicado. Breve pausa neste momento, e me percebo invadida por uma necessidade de aprofundamento do tema.
Eis que surge um texto em tom de maior seriedade, mas não menos questionador. O assunto ainda é o mesmo, e é aí que peço desculpas por insistir sempre em assuntos parecidos.
Como gostei do resultado, já não cabe analisar se o assunto é ou não o mesmo. Que venha logo a próxima publicação, depois de tanto tempo, o que interessa é continuar logo e sem mais demora.
"Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo" (frase colocada propositalmente como introdução à próxima postagem).