quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Consuma-se

Dominados incontestavelmente pela preocupação com a vida alheia, perdemos tempo escrevendo novelas que narram histórias desconexas e distantes num extenso consumir a ti.
Instigados por fatores externos inconscientes, desejamos o material e nem questionamos o fato de que, quando não estamos consumindo o “outro”, estamos consumindo em si.
Desligados de nós, o simples e o verdadeiramente relevante estão ausentes o tempo todo, tornando improvável consumir a si.
Eis que a simplicidade da felicidade se torna complexa: Nosso narcisismo nos golpeia, igualando consumo à imagem e percepção dos outros e sobre os outros, enquanto o sistema, ao revelar a felicidade como inerente ao consumo, mascara o fato de que consumo não é sinônimo de material.
Dizem que o consumo é felicidade, e eles têm razão. É uma pena que somos ignorantes demais para perceber que a tão sonhada felicidade, muitas vezes vista como inalcançável, está na simplicidade de consumir a si ao invés de viver em função das aparências e dar “pitaco” na vida alheia.

“Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito.
Clarice Lispector

sábado, 24 de setembro de 2011

(in)Sucesso Antes dos 30


Vivemos em sociedade de acordo com as regras que nos são impostas e nem nos damos conta disso, fazemos todos os dias coisas demais e o tempo já não anda mais na mesma velocidade que andava há pouco tempo atrás.
Tendências, comportamentos, consumidores e, principalmente, usuários, caminham rumo a um futuro aparentemente dominado pela tecnologia. Mas qual o impacto de tudo isso? Até que ponto a tecnologia pode contribuir positivamente, sem afetar o lado humano de nossa existência?
Se compararmos o homem atual com o homem de 20 anos atrás, veremos que muita coisa mudou. Ao longo desse período, a tecnologia se desenvolveu como nunca e as pessoas começaram a ter mais acesso a informações, que começaram ser difundidas com maior velocidade, mudando totalmente o comportamento de todos. Tornamo-nos multifuncionais, 24 horas agora são pouco para a maioria. Alguns nasceram neste cenário, convivendo com essas evoluções durante sua infância e adolescência, e, tornaram-se jovens em busca de sucesso antes dos 30 anos: a Geração Y.
Engraçado pensar sobre o parágrafo que acabei de escrever, parece-me tão verdadeiro e tão falso ao mesmo tempo. Controvérsias infinitas em minha mente, aumentam minha necessidade de filosofar e questionar. Então lá vai:
Uma geração? (Não há um consenso sobre essa afirmação, mas muitos defendem esta idéia) O que, exatamente, caracteriza um grupo de pessoas em uma geração? Sei que o acesso a tecnologia é sim muito maior hoje do que há 20 anos, mas daí dizer que estamos diante de uma geração inteira envolve muitos aspectos.
O BURACO É MAIS EM BAIXO
Nomear este fenômeno de geração consiste em fechar os olhos para aqueles que nasceram neste mesmo período de tempo, mas não possuem fácil acesso aos adventos da modernidade, tirando, de certa forma, a importância e o lugar dessas pessoas no mundo. E isso, é o que temos feito. Ao longo dos anos, olhamos cada vez mais para o eu e cada vez menos para o nós.
Se esse comportamento é, em parte, influência do desenvolvimento tecnológico, seria esta uma tendência capaz de nos cegar frente a certas realidades? O fato é: agora escolhemos com quem queremos nos relacionar, aceitamos e descartamos pessoas com apenas um click, ao mesmo tempo em que queremos compartilhar ideias e selecionar o grupo digno de ouvi-las.
A realidade é composta por informações selecionadas e os “marginalizados tecnologicamente”, são, por conseqüência, “marginalizados” socialmente. Estes, para os quais “fechamos os olhos”, são parte da Geração Y? Provavelmente não, porém é impossível negar o impacto de todo esse desenvolvimento na vida de certas pessoas, de modo que, o segredo é não generalizar e sim, contextualizar.
Contextualizar, significa enxergar realidades distintas a fim de nos conscientizarmos de que o futuro promissor rumo à era da tecnologia, pelo menos no país em que vivemos, ainda não é suficiente para solucionar problemas graves como falta de investimento na qualidade de vida da sociedade.
Apesar de toda tecnologia disponível e das muitas possibilidades apresentadas por ela, ao invés de nos preocuparmos com a timeline do Facebook, deveríamos pelo menos analisar fatores como: caso todos tivessem "acesso tecnologico", viveríamos numa sociedade melhor? Será que a qualidade da educação no país aumentaria?
E eis que me deparo neste ciclo sem fim, recheado de ideologia, onde, não existe conclusão ou resposta, porém, me arrisco no uso do imperativo, principalmente para os que almejam sucesso antes dos 30:
  • Preocupe-se um pouco mais com os outros do que consigo mesmo;
  • Tenha consciência de que sucesso deve ser conseqüência, e não objetivo;
  • O mundo não gira ao seu redor, acorde para a vida e enxergue.
Ainda assim se nada dito faz sentido para você, deixo aqui sábias palavras de José Saramago:
“Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.”
“Retrato do desmoronar completo da sociedade causado pela cegueira que aos poucos assola o mundo, reduzindo-o ao obscurantismo de meros seres extasiados na busca incessante pelo poder. Crítica pura às facetas básicas da natureza humana encarada como uma crise epidêmica. Mais do que olhar, importa reparar no outro. Só dessa forma o homem se humaniza novamente.”

Nota

Foram meses de ausência após me comprometer com postagens constantes. Eis que me deparo com o último post por mim publicado. Breve pausa neste momento, e me percebo invadida por uma necessidade de aprofundamento do tema.
Eis que surge um texto em tom de maior seriedade, mas não menos questionador. O assunto ainda é o mesmo, e é aí que peço desculpas por insistir sempre em assuntos parecidos.
Como gostei do resultado, já não cabe analisar se o assunto é ou não o mesmo. Que venha logo a próxima publicação, depois de tanto tempo, o que interessa é continuar logo e sem mais demora.
"Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo" (frase colocada propositalmente como introdução à próxima postagem).

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Conhecimento Desconhecido

Fazendo o planejamento de um cliente, analisamos todas as possibilidades, estudamos o consumidor, observamos os pontos de vendas, levantamos relatórios de web e olhamos novamente os resultados da pesquisa. Após essas etapas, é chegada a hora da discussão de ideias e estratégias, fala daqui, fala de lá e eis que surge a conclusão: relacionamento.
Não que isso seja algo novo, mas é fato que o consumidor esta exigente como nunca, na verdade, essa mudança do consumidor, nada mais é do que a tendência ao conhecimento e, quanto mais conhecimento, maiores são as ambições e, consequentemente a exigência aumenta.
Pensar nisso, aparentemente é muito fácil, porém ao cavar cada vez mais fundo, percebemos que o desenvolvimento da tecnologia em prol das necessidades dos consumidores tem realizado inúmeros progressos e inovações como a TV interativa, as redes sociais e a web 3.0, por exemplo, o que nos leva a outro pensamento: até que ponto esse desenvolvimento faz bem ao ser humano?
Entender o consumidor e gerar relacionamento deixou de ser algo simples para se tornar vigilância constante, análise de cada passo dado e monitoramento completo de todas suas atividades. Serão essas as necessidades dos consumidores? Será essa falta de liberdade encoberta por ilusões publicitárias?

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Contratante x Contratados: O Duelo dos Mundos!

Engraçado como tudo depende do tipo de cliente que se tem.
Como assim? Horas...se o cliente é confiante e acredita que contratou a agência porque ele não saberia fazer o trabalho sozinho, então todos os jobs fluem maravilhosamente, por outro lado, quando o departamento de marketing insistentemente inseguro e crítico resolve pegar no pé, o desenvolvimento anda a passos de tataruga e, por vezes a própria agência acaba desistindo e deixa o cliente vencer a guerra que ele mesmo começou.
Difícil dizer essas coisas, afinal sempre sonhamos com o maravilhoso mundo da publicidade e nesses sonhos tudo era perfeito e glamuroso. Nesses sonhos acho que nem pensávamos nos clientes (eles são pesadêlos).
Sim, levamos uma culpa parcial nisso, pois quando o cliente se torna implicante e suas considerações são desnecessárias tendemos a culpá-los por tudo e somos inacapzes de compreender que eles estão apenas fazendo seu trabalho. No fim estamos todos correndo por um mesmo objetivo e ninguém é capaz de se lembrar que atingir o melhor resultado é de interesse tanto da agência quanto do marketing.
Triste, mas infelizmente estamos num mundo onde trabalho em equipe está em exinção, o importante mesmo é ser o dono da ideia aprovada, afinal de contas a carreira é o mais importante, não é mesmo?

domingo, 29 de agosto de 2010

Relevantemente Irrelevante

Escrevo para não explodir com tantos pensamentos, escrevo para ver se consigo entender o que não entendo e também para tentar expressar aquilo que não consigo. Sim a frase é estranha, assim como a pessoa que a escreve, mas no fim das contas os estranhos devem ter algo para se aproveitar.
Estranho por estranho, mais estranho é o pensamento que me perturba, afinal qual a relevância em ser relevante? Não sei a resposta, mas meu cliente precisa ser relevante e sendo assim preciso entender os consumidores e perceber o que eles consideram relevante.
Na verdade não preciso compreender apenas os consumidores, preciso compreender meu cliente também, é ai onde mora o perigo, como transformar cliente, consumidor e satisfação de ambos em relevância? Digamos que envolve muita paciência, reflexão, pesquisa e o famoso jogo de cintura.
A resposta envolve dedicação para estudar e conhecer coisas novas, tentativas ousadas e diferentes e muita paciência. Tudo o que eles querem, na verdade, é fazer parte do mundo de forma atraente e motivadora, afinal estão investindo dinheiro e querem ver os resultados, “simples assim”.
Tão simples que a resposta mais relevante seria a mais simples, se não tornasse o meu trabalho tão complicado...
Nota: o texto acima foi escrito para reflexão, por isso não tem uma conclusão definida, assim qualquer um que já passou por uma experiência parecida terá uma solução diferente, com resultados positivos ou negativos, pois não existe apenas uma maneira certa de combinar cliente, consumidor, satisfação e relevância.

domingo, 22 de agosto de 2010

Lá e De Volta, Outra Vez

Há tempos eu não passava por aqui, posso dar mil desculpas para mim mesma ou simplesmente assumir essa displicência para com a atualização do blog, afinal nada que eu diga poderásilenciar a voz dentro de mim: Você é culpada...
Pois bem, culpada, porém consciente de que nos dias de hoje é mais do que necessário andar no ritmo “real time” de ser. Todos querem notícias atualizadas, assuntos novos, top trends, e participação ativa em pelo menos quatro redes sociais, tudo isso simultaneamente.
Refletindo sobre essa exigência básica do mundo atual só posso concluir que a globalização nos torna seres incompletos. Não sei como é possível atender a todas essas exigências e conseguir ser 100% em todas as coisas, você precisa trabalhar, manter sua reputação digital, cuidar do corpo e da mente e ainda estar sempre atualizado tanto com as notícias do mundo quanto com notícias importantes na sua vida profissional. Isso tudo é claro, sem falar da vida amorosa, ai já são outros quinhentos.
Assim sendo, fico me perguntando os benefícios de estar presente em tudo. Por mais incrível que pareça, conhecer um pouco de tudo é surpreendente!
Sim, é cansativo fazer todas essas coisas, e nem eu entendo como a maioria faz isso tão bem, mas sei que a recompensa é inexplicável.
Por fim, por maior que esteja a correria, estou de volta às obrigações Bloguísticas!