Shoppings lotados, ruas abarrotadas, floriculturas sem flores, estacionamentos sem vagas, acontecimentos estes que nos mostram a eficiência da publicidade em datas comemorativas. (sabemos que essas datas viraram puro comércio).
Para nós publicitários, isso é bom ou ruim? Minha tese é: se sou um publicitário conformado, isso é maravilhoso. Minhas campanhas estão dando certo e todos estão gastando o dinheiro que têm e que não têm, porém, se gosto de questionar e entender o modo de agir das pessoas, esse fato me deixa com um tremendo nó na garganta (que é meu caso).
Esse ano, como sempre, o dia das mães foi um perfeito cenário para tais acontecimentos, e eu me pergunto: as pessoas não percebem que a verdadeira importância da data não são os presentes? Porque será que a maioria não questiona nada e aceita tudo o que lhes é imposto?
Comodismo? Prazer?
Enfim, todos podem optar entre consumir nossas propagandas e nos deixar felizes, ou destruir nosso ego, minimizando a economia e abalando o capitalismo. É ótimo saber que a propaganda cumpre seu papel, todavia o nó na garganta faz ecoar a seguinte pergunta: Porque ninguém escolhe a segunda opção?
A resposta é levemente complexa e um tanto quanto pessoal, por isso deixo aqui a reflexão de fim de domingo “Dia das Mães”, afinal é estranho imaginar como seria se o “Dia das Mães” não fosse palco do consumo exacerbado.

Perfeita analise. Me estenderia um pouco e me questionaria:
ResponderExcluirA questão primária, que antecede o questionamento quanto a "comercialização" das datas festivas, é: Até que ponto ainda sabemos nos expressar, agir e pensar de forma não consumista? Não estarão nossas atitudes, ações e nossa própria razão insolúvelmente dependente das relações comerciais? Vou mais além.
Será que nossas ações e atitudes estão "contaminados" pela "lógica comercial", ou a "lógica comercial" é fruto de nossa índole e "pensar" animal?
Algum dia será que fomos capazes de pensar, agir e, em ultima instância, julgar as relações interpessoais sem ser pelo ótica do binômio CUSTO-BENEFÍCIO?
Não estamos nos enganando, nos iludindo, frente as inevitáveis decepções que temos com o mundo e com a sociedade, querendo transferir ao mundo, "AO SISTEMA", as consequências de um modelo de pensar genuinamente humano. Nem certo nem errado, nem bom ou ruim, simplesmente HUMANO.